A CASA DE ITANHAÉM

SOCIEDADE/POLÍTICA   POR MARCOS BITTENCOURT

Constituição Federal, Art. 185. “São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:  I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;  II - a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.”

Certas sensações são difíceis de esquecer. Eu lembro que estava em Itanhaém, na casa que meu avô havia adquirido no final dos anos 40, onde contavam infindáveis histórias, na maior parte das vezes hilárias, a respeito de parentes que nem mesmo conheci. A casa, a praia, a companhia dos primos e tios, enfim, a alegria contagiante de uma família saudável e divertida  faziam de Itanhaém o paraíso para mim. Mas era apenas um sonho.Tinha 5 ou 6 anos de idade e, ao acordar, percebi que estava em São Paulo mesmo e que, logo, teria que começar a me preparar para ir à escola. Como descobri depois, a decepção daquele momento era uma lição de vida, pois ali comecei a aprender que a realidade e as obrigações se impõem diante dos sonhos; mas aquele sonho, em especial, nunca esqueci. A casa era minha, meu refúgio, minha vida...

Desde os primórdios o ser humano necessita ter alguma coisa, o apego às coisas materiais é parte de sua natureza, algo que psicólogos e sociólogos talvez possam explicar melhor. O homem das cavernas, provavelmente depois de lutar pelo direito de se acasalar, iniciou uma disputa com seus vizinhos pelo melhor território, brigou com seus irmãos pela melhor caverna e, dentro dela, escolheu o melhor lugar para se deitar com sua companheira.

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